Aqui na América ...

Janeiro/Fevereiro/2026


Nova Venezuela?             

        

        Maria Corina Machado (Caracas,1967), integrante do partido político VV - Vamos Venezuela, foi uma das principais organizadoras de manifestações contra o presidente Nicolás Maduro, em 2014. Durante um protesto contra a posse de Maduro, foi presa pelo regime. Em 2025, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela defesa dos direitos democráticos na Venezuela. Ela defendeu a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela para por fim ao regime autoritário de Maduro, e dedicou o prêmio, também, ao presidente Donald Trump, dos Estados Unidos da América do Norte, "por seu apoio decisivo à nossa causa". Informado sobre essa intenção, Trump disse que considera "uma grande honra" receber o prêmio, e que irá se encontrar com a líder da oposição na Venezuela, em Washington, nesta semana, embora o republicano tenha se aliado à vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez, após a captura do presidente venezuelano.

            Em dezembro de 2025, os escritores latino-americanos Laura Restrepo e Giuseppe Caputo, da Colômbia e Mikaelah Drulland, da República Dominicana, boicotaram o festival literário Hay Festival de Cartagena, em Cartagena (Colômbia) pela presença de Maria Corina Machado, dadas as declarações dela sobre a intervenção militar dos EUA.

              O cenário de intervenção já ocupava os analistas do Euroasia Group desde setembro de 2025, embora a acusação sobre Maduro chefiar o "Cartel de los Soles" - suposta organização criminosa comandada por generais venezuelanos -, tenha ocorrido em 2020, levando ao reforço da presença militar norte-americana na região, sob justificativa de que iria combater o tráfico de drogas.

                No dia 29 de dezembro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu país atacou, e destruiu, uma área de atracação de navios venezuelanos supostamente usada para o tráfico de drogas. Esse seria o primeiro ataque terrestre desde o início da campanha militar de Trump contra o narcotráfico, desde setembro de 2025, quando o governo de seu país aumentou a pressão sobre a Venezuela com uma grande mobilização militar no Caribe.

               Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os EUA lançaram ataque contra a Venezuela. O presidente Trump afirmou que as forças armadas dos Estados Unidos haviam capturado o presidente venezuelano Maduro e sua esposa Cilia Flores e os retiraram do país em coordenação com a administração da justiça americana, operação que resultou na morte de autoridades governamentais, militares e civis. A acusação contra Maduro, pelos EUA, é de liderar um "narcoestado" e fraudar as eleições que o levaram ao poder. O líder venezuelano, por sua vez, acusava os EUA de cobiçar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.

            O petróleo iniciou a semana passada (5/1/2026) em queda na Ásia (1,2%), embora haja a crença de que o mercado global de petróleo deva absorver os acontecimentos geopolíticos sem grandes dificuldades. A infraestrutura petrolífera da Venezuela não foi afetada pelos ataques dos EUA. Instalações-chave continuam operando. Desde Cingapura, a avaliação é de que, a curto prazo, possa haver um sentimento de aversão ao risco nos mercados asiáticos, causando um aumento do prêmio de risco geopolítico, mas não se espera que isso evolua para um choque duradouro do petróleo (as bolsas asiáticas abriram em alta na segunda-feira). A Opep+ confirmou que manterá estável sua produção, frustrando qualquer expectativa de que haja choque duradouro no mercado.

                As repercussões econômicas para o Brasil ocorrem sobre um comércio já enfraquecido: as exportações caíram de R$2,9 bilhões (2015) para R$1,196 bilhão (2024). As importações recuaram 38% no mesmo período. Em 2024, a Venezuela representou 0,4% das exportações totais do Brasil. Os principais produtos exportados foram açúcares, melados e milho (40% das vendas em 2024). Em 2025 (novembro) as máquinas agrícolas responderam por 10,6% das exportações. Há preocupação que a invasão norte-americana impacte preços de petróleo, fretes marítimos e seguros com impacto direto no setor de óleo e gás no Brasil.

                O presidente brasileiro repudiou os ataques como violação do direito internacional e risco à estabilidade global.

                 Os Estados Unidos - maiores produtores de petróleo do mundo - agora têm acesso à maior reserva global (303 bilhões de barris) que, combinando as reservas venezuelanas com a produção americana de 13 milhões de barris por dia, pode dar, à Washington, forte influência sobre os preços internacionais. Com investimentos, a indústria venezuelana poderia se recuperar e operar sob interesses norte-americanos. Manipulando a oferta internacional de petróleo os EUA poderiam diminuir o poder da Opep e reforçar seu próprio controle sobre o mercado. A "quarentena do petróleo" como forma de pressionar a Venezuela, restringiria a circulação de petróleo venezuelano no mercado internacional e ampliaria o isolamento econômico do país. Além disso, esta estratégia permite obter alinhamento aos novos líderes do regime chavista na Venezuela. Também há expectativas de que a Venezuela corte relações com Irã, Hezbollah e Cuba, adversários da indústria petrolífera dos EUA.

                    O governo brasileiro confirmou o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidenta interina.

                    O mercado financeiro segue atento a temas como inteligência artificial e política monetária do FED para precificar totalmente a volatilidade geopolítica. As tensões entre grandes potências deve se intensificar aumentando a busca por ativos de proteção, como o ouro.

                        O Brasil continua as negociações com a gestão Trump para o fim do tarifaço, das sanções contra as autoridades e o intercâmbio de informações para combater o crime organizado. 

                          O setor industrial do Rio Grande do Sul preocupa-se com a escala da crise entre Estados Unidos e Venezuela. Empresários e analistas temem reflexos indiretos na volatilidade nos preços de petróleo e derivados, bem como efeitos sobre custos logísticos e cadeia de suprimentos, mesmo sendo a exposição direta da economia gaúcha baixa, no mercado venezuelano. A avaliação é de que os efeitos da crise devem ser contidos. 

                      Na segunda-feira (5/1/2026), as petrolíferas brasileiras encerraram o pregão em queda, como reflexo do ataque norte-americano à Venezuela: Petrobrás perdeu R$6,8 bilhões em valor de mercado; suas ações ordinárias recuaram 1,67% e as preferenciais 1,66%. Prio caiu 1,46%, e Brava Energia 5,75%.

                      Nos EUA, a Chevron, que mantém operações na Venezuela em parceria com a PDVSA, subiu 5,10%   e a ExxonMobil, 2,21%. A Chevron é a única grande petroleira americana ainda presente na Venezuela, onde responde por cerca de 25% da produção nacional.

                        Na base das intervenções dos EUA está a "doutrina Monroe", teorizada por James Monroe, presidente dos EUA, em 1823. Ela prevê a recusa de qualquer ingerência nas questões políticas das Américas por parte de potências estrangeiras; em 1904, Theodore Roosevelt ampliou o corolário da doutrina, onde Washington reivindica o direito de intervir nos países da América Latina para proteger seus interesses e manter a estabilidade e a ordem.

                       A Bom Princípio Alimentos, empresa gaúcha, iniciou em dezembro de 2025, presença nos Estados Unidos. A operação é voltada ao food service, garantindo distribuição em mais de 25 estados norte-americanos. A empresa já exporta para países da América do Sul e Central e Austrália.         O ataque dos Estados Unidos à Venezuela trouxe preocupação ao agronegócio gaúcho, especialmente ao setor arroz, que exportou à Venezuela cerca de 165 mil toneladas do cereal, em 2025, ficando atrás, em volume, apenas ao Senegal. Os venezuelanos foram os maiores compradores do arroz em casca. Como o Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional de arroz, os produtores acompanham com atenção os desdobramentos da crise. As exportações do agronegócio gaúcho à Venezuela somaram US$85,5 milhões em 2025, com mais de 186 mil toneladas embarcadas.

                    Enquanto isso, Trump apresentou a "Doutrina Donroe", inspirada na Doutrina Monroe, reforçando que, além da entrada de grandes empresas americanas no setor petrolífero venezuelano, com investimentos bilionários para recuperar a infraestrutura, Washington assumirá responsabilidade sobre o hemisfério ocidental. Entretanto, o Senado dos EUA aprovou resolução que limita o poder de Trump de ordenar novas ações militares sem autorização prévia do Congresso, quando ele advertiu sobre novas ações militares na Colômbia e no México.  Analistas preveem que, se a intervenção americana aumentar a produção e a exportação da Venezuela isso pode gerar superoferta e pressionar preços para baixo.

                    Observadores da indústria gaúcha aguardam a superação da crise política e econômica da Venezuela para voltar a exportar ao país arroz, feijão, derivados do cacau, conservas, móveis e tabaco. Em 2014, a Venezuela ocupava a oitava posição entre os principais destinos das exportações do Estado, com destaque para bens industrializados; hoje, caiu para um quinto do valor registrado na época. Segundo Trump, a Venezuela concordou em destinar a receita da venda de petróleo aos EUA exclusivamente, para a compra de produtos americanos: alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e insumos para a energia. 

                    As exportações do RS para os EUA caíram em 10,9%, em 2025, impactadas pelo tarifaço que entrou em vigor em agosto e reduziu os embarques em 37% nos últimos cinco meses do ano. Produtos petroquímicos, óleos para solventes, insumos combustíveis e equipamentos domésticos de metal tiveram queda superior a 50%, mas transformadores e carne bovina dobraram suas vendas. Parte das exportações foram redirecionadas aos mercados de Omã, Índia, Argentina e Paraguai. Apesar de Trump ter recuado em algumas tarifas, a maior parte das exportações gaúchas ainda enfrenta sobretaxa de 50%. O resultado foi que de superávit de US$410,6 milhões (2024) a balança comercial com o RS e os EUA passou a déficit de 155,3 milhões, em 2025.

                    Enquanto presos políticos estão sendo liberados na Venezuela - ato de grande valor simbólico - a líder da oposição venezuelana, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado está agendada com o presidente Trump nesta semana, em Washington. Ele, por sua vez, anunciou ataques terrestres contra "os cartéis de drogas que controlam o México".


Algumas referências:

apex.com.br

bloomberglinea.com.br

folha.uol.com.br

gauchazh.clickrbs.com.br

g1.globo.com

jornaldocomercio.com

oglobo.globo.com

vaticannews.va






Novembro/Dezembro/2025


Brasil e a COP30



            Estamos no período do Advento de Natal. No dia 8 de dezembro, a Praça de São Pedro, no Vaticano, recebeu a exposição "100 Presépios no Vaticano". Entre eles o presépio da artesã de Cabo Frio-RJ-Brasil (local de lindas praias ótimas para passear de iate) Eva Gomes - a Tia Eva - feito de fibras de taboa, bananeira, palha de milho e de coco. Ao lado, o quadro do artista Marcos Martins, também brasileiro, com base em plástico triturado recolhido do oceano e a imagem do Cristo Redentor. Representando o Brasil, fazem referência à Carta Encíclica Laudato Sí, do Papa Francisco, que aborda os aspectos sociais e ambientais do planeta.

          Antes disso, uma fotografia de Maíra Erich, entre as 25 melhores do ano, na consideração da National Geographic, é a do rosto de uma das vítimas do afundamento do solo, por décadas de extração do sal-gema, resultando na destruição de 5 bairros em Maceió, capital das Alagoas, nordeste brasileiro, sinalizando que, quase 10 anos depois, os sintomas do colapso ainda continuam a atormentar os quase 60.000 moradores afetados.

            E a moda? A indústria têxtil e do vestuário é uma das mais poluentes do planeta: muito além da matéria-prima e processos de produção, estão os setores econômico, comercial, finanças, agricultura, pecuária, energia e transporte. 

            A COP30 (30a.Conferência das Partes) ocorreu de 10-22 de novembro de 2025, na região da Amazônia (Belém-PA), contando com delegados de 195 países, 145 tópicos de agenda e 50.000 participantes, e a aprovação, por parte do Brasil, da exploração de petróleo na Foz do Amazonas semanas antes do evento, gerando uma crise de imagem ao país.
            Os deveres da COP30 eram:
  • destravar a discussão sobre a crise energética e financiamento climático, e
  • quebrar o molde das edições anteriores.
            
          A primeira reunião da Convenção-Quadro da Nações Unidas sobre Mudança do Clima foi no Brasil - a Rio-92 - inaugurando a consciência global sobre o aquecimento da Terra e o regime de 198 nações para lidar com o problema. A COP é o órgão que toma as decisões desse regime, e se reúne, anualmente, desde 1995. Em 2015, as nações envolvidas concordaram em adotar o Acordo de Paris, que estabelece que:
(1) o aumento da temperatura média global deve ser mantido bem abaixo de 2 graus Celsius, buscando limitá-la a 1,5, através da 
(2) redução de emissões, e
(3) apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento para adaptação e mitigação.

            Este marco é indicativo para governos, empresas e terceiro setor.

     A Ministra do Meio Ambiente criou o Balanço Ético Global, como versão social do Global Stocktake, um processo do Acordo de Paris que avalia o progresso global a cada 5 anos.

            

                Normalmente, há uma equipe de transição da COP atual com a anterior. Foi o que aconteceu com os governos do Brasil (Belém) e Azerbaijão (Baku), no Roteiro Baku-Belém. É neste Roteiro que aparece a moda de luxo como uma possível fonte de financiamento: "Impostos sobre as vendas de alguns bens específicos, como moda de luxo, tecnologia e produtos militares, variando entre 24 e 112 bilhões de dólares, dependendo da participação e do peso dos diferentes setores.", consta nas possibilidades financeiras do documento.
             A moda é uma das indústrias mais poluentes do planeta, responsável por 5-10% das emissões globais e 9% dos microplásticos nos oceanos. E os clientes do luxo (1% mais ricos da população) são responsáveis por mais emissões de carbono do que os 66% mais pobres. A moda se espalha por vários setores e indústrias: economia, comércio, finanças, agricultura, pecuária, energia e transporte. O desfile-manifesto "Vestir Amazônia, Reflorestar o Clima", ao pôr do sol,  na Ilha de Combu (em 13/11) como evento independente, ergueu bandeiras ao vento e vestiu roupas e acessórios de 9 marcas nacionais sustentáveis, nas modelos que chegavam de barco (direção criativa de Sioduhi, estilista indígena do povo Piratapuya; trilha sonora ao vivo da cantora Djuena Tikuna). 
            O Apperel Impact, instituto que contabiliza a aceleração positiva na indústria do vestuário, calçados e têxteis, divulgou que a emissão de gases de efeito estufa na moda foi de 944 milhões de toneladas em 2024. A projeção é de 1,24 milhões de toneladas em 2030 - volume maior do que as emissões do Japão. O Índice de Transparência da Moda Brasil informa que "22 das 60 grandes marcas que operam no Brasil emitem a mesma quantidade de gases de efeito estufa que Portugal" (Fashion Revolution Brasil). O problema? : a matriz energética dos fornecedores das empresas de moda, que inclui casas de tingimento, lavanderias, fábricas de beneficiamento de tecidos, com uso de combustíveis fósseis, especialmente em países asiáticos. Por isso, o Fashion Industry Charter for Climate Action, publicou uma carta aberta à presidência da COP30, na qual as empresas signatárias pedem (nenhum dos participantes da iniciativa, liderada pela O.N.U., é brasileiro):
(1) acelerar a transição para energia limpa nos principais países da cadeia de suprimentos,
(2) ampliar o financiamento climático para viabilizar os investimentos dos países produtores  e de pequenas e médias empresas, e
(3) avançar em adaptação e resiliência climática, com mais recursos para avaliação de riscos, proteção de trabalhadores e comunidades, e planos de adaptação conduzidos por cada país em regiões têxteis vulneráveis.
                Importante: um inventário de carbono (documento que categoriza as emissões em detalhes) divide as fontes de emissões de um negócio entre atividades diretas (Escopos 1 e 2) e indiretas (Escopo 3). Na moda, a maior parte do impacto climático está no Escopo 3, ou seja, fornecedores, processos de produção e beneficiamento de matérias-primas. Além de ser uma indústria de trilhões de dólares a moda tem um papel enorme na aceleração da transição verde industrial, e é um dos veículos culturais mais influentes do mundo.


foto: Le Monde

                    Tudo isso sendo proposto e discutido na cidade com maior número de favelas do Brasil (75% da população vive nelas), que recebeu melhorias de infraestrutura que ficarão como legado, bem como locais de ciência, ensino, cultura, tecnologia e arte que foram inaugurados ou reformados.

                   Encerrando com um dia de atraso, em 22/novembro, a COP30 teve momentos difíceis, como a objeção da Colômbia, o empacamento da Federação Russa (estado petroleiro) e a Argentina, que sentiu-se ofendida. O contencioso levou 37 países a anunciarem reunião complementar, e exclusiva, para abril/2026, na Colômbia. Com a vitória dos países petroleiros, nenhuma menção aos combustíveis fósseis entrou no texto final. Entretanto, houve destaques:

  • reconhecimentos para afrodescendentes: pessoas (os indivíduos) e não os povos. Por isso, a Coalizão Internacional de Territórios e Povos Afrodescendentes da América Latina e Caribe comunicou sua reivindicação por direitos coletivos;
  • reconhecimento por direitos territoriais indígenas: mas, reconhecer não é proteger, o que levou à declaração de insuficiência por parte da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB);
  • ciência como guia: apoio claro ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. A COP30 contou com o primeiro pavilhão científico em uma conferência do clima da ONU, o Planetary Science Pavilion, comprometido em produzir relatórios sobre a eliminação dos combustíveis fósseis para os próximos anos;
  • Global Impact Accelerator: foi lançado o Acelerador Global de Implementação como pacote de ideias para reduzir as emissões globais;
  • 2 roadmaps: que serão entregues para informar as decisões da COP31, na Turquia. Um será como deter e reverter o desmatamento e o outro sobre o fim do uso de combustíveis fósseis;
  • BAM - Belém Action Mechanism: plataforma de ajuda aos países a conduzir a mudança de economias baseadas em combustíveis fósseis de maneira a apoiar os trabalhadores, proteger as comunidades e ampliar os benefícios econômicos da energia limpa;
  • Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF): lançado no primeiro dia da Cúpula do Clima e já em operação, tem como objetivo recompensar países em desenvolvimento que garantam a conservação de florestas tropicais em seus territórios. O Brasil captou, até agora, 6,5 bilhões de dólares. Está estabelecido que 20% dos recursos captados devem ser repassados a povos indígenas e comunidades tradicionais.
        
            Apesar de tudo, as expectativas eram inúmeras.
         O chefe-adjunto da delegação do Vaticano, que participou com 10 membros, dom Giambattista Diquattro, expressou, no início de novembro, as aspirações que representava: manifestações de "vontade política clara e tangível, que conduza a uma aceleração da transição ecológica, por meio de formas que tenham três características: sejam eficientes, vinculantes e facilmente monitoráveis. E que encontrem realização em quatro campos: eficiência energética; fontes renováveis; eliminação de combustíveis fósseis; educação para estilos de vida menos dependentes destes últimos". Enquanto este discurso era proferido, Belém (PA) se preparava para receber nos dias 6-7/11 a Cúpula (não deliberativa) do Clima, convocada pelo presidente brasileiro com as temáticas: 

(1) Florestas e Oceanos (Tratado do Alto Mar);
(2) Transição Energética; e
(3) os 10 anos do Acordo de Paris, NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e financiamento,

onde acontece a Plenária Geral dos Líderes. Para isto, ocorreu a transferência da capital federal de Brasília para Belém (art. 48, inciso VII, da CF), levando os três poderes a se instalarem na capital do Pará, de onde conduziram atividades institucionais e governamentais, tal como ocorreu durante a Eco-92. O encontro coincide com os 80 anos das Nações Unidas.

    Execução e concretude aos compromissos assumidos nas COPs, realçando o multilateralismo é o que se espera. (50 milhões de pessoas vivem no território amazônico da América do Sul).


Algumas Referências bibliográficas:

elle.com.br
matinal.org/parentese
vaticanonews.va

Maio/Junho/2025


Brasil - Rio de Janeiro Capital Mundial do Livro 2025


Abertura evento oficial no Rio de Janeiro da titulação de Capital Mundial do Livro à cidade
    

        Nomeada pela UNESCO como a Capital Mundial do Livro em 2025, Rio de Janeiro é a primeira cidade de língua portuguesa a receber este título. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, concede este título, anualmente, a uma cidade, para a promoção da leitura e o acesso aos livros em todo o mundo. 

        No Rio, a cerimônia oficial ocorreu com a entrega do título ao prefeito do Rio de Janeiro pela prefeita de Estrasburgo (Capital Mundial do Livro 2024 reconhecida como pólo da literatura infantil, na Europa), no final de abril/2025, em reconhecimento à excelência dos programas de promoção de leitura desenvolvidos na cidade.  O início da agenda oficial, entretanto, ocorreu no início de abril, na Academia das Ciências de Lisboa, divulgando um acervo com obras clássicas e contemporâneas, selecionadas por países de língua portuguesa como Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Timor Leste, como apoio da comunidade lusófana ao Rio, como Capital Mundial do Livro.

        O Rio é a cidade que mais consome cultura no Brasil, em todas as formas: livros, cinema, teatro, shows, visitas a museus ou locais históricos. Possui 58 centros culturais e 55 museus. Uma agenda especial está sendo organizada em função da premiação, que contemplará eventos ao longo de 2025 até 2026, além dos eventos literários tradicionais daquela capital: 

Bienal Internacional do Livro (é o evento mais importante da literatura brasileira);

Feira Literária das Periferias (FLUP, é evento de promoção à inclusão e diversidade cultural);

Festival do Leitor (LER);

Festival Paixão de Ler (literatura infantil e juvenil);

Noite com Livros;

Book Parade Rio;

Rio de Livros;

Academia Editorial Jr.

        

Ademais, dão suporte cultural à cidade, suas 69 instituições de ensino superior, além das infraestruturas, como o transporte aéreo nacional e internacional, transportes terrestres rodoviários e ferroviários e uma rede hoteleira que está entre as principais do país em tamanho e qualidade dos serviços.

        O turismo é fundamental para a economia da cidade. A rede hoteleira da cidade do Rio de Janeiro, em dezembro/2024, já contava cerca de 50.000 quartos, cujo faturamento anual é de bilhões de dólares. Além desta, conta com mais de 700 meios de hospedagem que geram mais de 100.000 postos de trabalho. 

       O setor de acomodações, por sua vez, opera com uma margem de lucro (GOP) média de 75%, o que repercute na arrecadação. No caso do setor hoteleiro, a tributação sobre o Lucro Real é: IRPJ e CSLL (15% e 9%, sobre o lucro efetivo); PIS e Cofins com alíquotas de 1,65% e 7,6% e o ICMS variável.

        Espera-se que esta titulação venha a incrementar estes e outros ingressos decorrentes das populações do país e do mundo que acorram aos eventos que estão sendo programados.


Leituras de referência:

https://agenciabrasil.ebc.com.br>economia

https://cultura.prefeitura.rio

https://www.cnnbrasil.com.br>nacional>rio-de-janeiro

https://www.hqbeds.com.br

https://www.mapadasartes.com.br

        



Março/Abril/2025

Peru, o país multiétnico dos Andes



        O Peru é uma república democrática representativa semipresidencialista, onde o presidente designa um primeiro ministro que dirige o Conselho de Ministros. Multiétnico, foi um dos fundadores da Comunidade Andina das Nações (1969), atualmente, constituída por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, cuja secretaria tem como cidade-sede a Lima.

        O país é considerado o melhor destino de turismo mundial, e em 2024, recebeu o World Travel Awards, tendo sido premiado em três categorias: destino culinário líder do mundo (pela décima segunda vez consecutiva), por sua tradição, inovação e ingredientes locais; destino cultural líder do mundo (danças, festivais, músicas e tradições); atração turística líder do mundo (Machu Picchu, em Cusco, pelo quinto ano consecutivo).





Hotel suspenso no Vale Sagrado dos Incas





Porto de Chancay

Praias e atrações turísticas no mar











        









        O Peru assumiu, em 2024, pela terceira vez, a presidência da APEC - Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, instituição de acordos não vinculantes.

        Apresentou três prioridades chave: 
1)comércio e investimento para um crescimento inclusivo e interconectado,
2) inovação e digitalização para promover a transição da economia formal a global (a economia informal peruana é significativa),
3)crescimento sustentável para um desenvolvimento resiliente.

        Acredita-se que a China tem estratégia ativa para ocupar lugares de liderança na globalização econômica, com grandes implicações na América Latina, principalmente na mineração (importante na pauta de exportação do Peru), infraestrutura e energia, competindo com as estratégias estadunidenses. Na inauguração do Porto de Chancay, o presidente da China Xi Jinping, coloca o Peru como sócio comercial na iniciativa Cinturão e Rota, dentro da expansão da China na América Latina, melhorando a conectividade e competitividade do comércio peruano (básico na exportação de matérias-primas dada sua pouca industrialização, logo com desvantagens na comercialização de commodities), transformando o país em eixo estratégico do comércio Ásia-América Latina. No discurso de Xi Jinping, na 31a APEC Lima 2024, Sua Exa., o Presidente da República Popular da China, lembrou a chegada de barcos chineses com carga de seda e porcelana à região, até a globalização da economia. 
        Para ele, a globalização econômica é uma exigência do crescimento das forças produtivas sociais - uma poderosa tendência histórica. O mundo avança à uma economia global, verde e inteligente. Para tanto, destacou a inovação como força impulsora, fonte da produtividade. Os países em desenvolvimento devem ser ajudados, aproveitando a inteligência artificial, os avanços da ciência e tecnologia. A reforma dos sistemas de governança econômica global deve ser mantido em dia, planejando, construindo e beneficiando-se juntos, refletindo uma nova realidade.         O enfoque deve estar sempre centrado nas pessoas, buscando resolver os desequilíbrios do desenvolvimento. O bem-estar das pessoas deve ser garantido na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.


        
        A APEC, nascida no fim da Guerra Fria, sempre teve como missão a globalização econômica da Ásia-Pacífico, comprometida com a paz e estabilidade da região, que deve abrir novos caminhos para o futuro. A China construirá uma economia de mercado socialista de alto nível, fomentará um entorno de mercado mais justo e mais dinâmico na disposição de recursos de forma mais eficiente e produtiva. Xi Jinping expressou sua satisfação com o slogan peruano "De Chancay a Shangai". Os presidentes da China e do Peru assistiram a inauguração do Porto de Chancay - o primeiro porto inteligente da América do Sul - via vídeo. Os dois países são parceiros na Iniciativa de Desenvolvimento Global, na Iniciativa de Segurança Global e na Iniciativa de Civilização Global. O 1o. de fevereiro, foi declarado pelo Congresso o "Dia da Confraternização Peruano-Chinesa". Segundo o presidente da China, em artigo autoral, as relações entre peruanos e chineses são afetuosas e vêm assim do passado. Cita semelhanças culturais entre os chineses e incas (as antigas civilizações peruanas são : caral, chavin, chimú e inca), tal como está na Exposição Museográfica "Grandes Civilizações Antigas, China y el Tawantinsuyu en el Perú", co-organizada pelos dois países. 
        O Peru foi o primeiro país da América Latina e Caribe em estabelecer relações diplomáticas com a nova China, cujos laços têm avançado. Também foi o primeiro em firmar com a China um tratado de livre comércio e em soma-se à Iniciativa Cinturão e Rota. Por dez anos consecutivos a China tem sido o maior parceiro comercial e mercado exportador do Peru (em 2023, a exportação à China representou 36% das exportações peruanas) e a China tem investido em capital no Peru, em minas de cobre de Bambas, no Hospital Saúl Garrido Rosill, em Tumbes, e obras de água e esgoto em três distritos de Lima, beneficiando 400.000 peruanos com água potável e saneamento, por exemplo. O Porto de Chancay, parte do Cinturão e Rota, na primeira fase, poderá reduzir em 23 dias a viagem marítima do Peru à China, economizando mais de 20% de custo logístico, gerando, para o Peru, ingressos anuais de 4.500.000 de dólares e 8.000 empregos diretos, comunicando o litoral com o interior do país e o Peru com o resto da América Latina e Caribe, o "Gran Caminho Inca da Nova Era", com o Porto de Chancay como ponto de partida. O Porto de Chancay é um investimento de US$3,6 milhões, projetado para atender embarcações grandes, Este avanço logístico proporcionado pela China, foi construído a cargo da gigante COSCO Shipping. A modernidade tecnológica inclui guindastes automatizados e caminhões elétricos autônomos. O projeto está conectado ao BRI ("Belt and Road"), lançado pelo presidente Xi Jinping em 2013 para fortalecer a influência da China através de uma rede global de infraestrutura. Este projeto conta, também, com uma estação de resgate de animais com responsabilidade social de proteger pinguins, focas e aves, e melhorar as condições ambientais dos úmidos, praias e hábitat biológico. A expectativa é que também sejam fortalecidos intercâmbios nos âmbitos da cultura, arte, educação, investigação científica, turismo, juventude, proteção de patrimônios culturais e arqueologia.




Referências bibliográficas:

BARRERA, Paulo Rivera, "Religião e política no Peru pós-Fugimori (2006), Civitas, Porto Alegre, v.6,n.2, julho-dezembro/2006.

https://lefigaro.fr

https://www.wordtravelawards.com

MONTOYA, Paúl (2022), "El progreso de las ideas: escritores e intelectuales positivistas en Perú (1884-1919)", PUCRS, Porto Alegre.

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politica-china.org  (análise/política exterior, por Nifta Lau Ibarias, nov/2024; ver também artigo de Patrícia Castro Obando, julho/2024)







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