Aqui na América ...
Janeiro/Fevereiro/2026
Nova Venezuela?
Maria Corina Machado (Caracas,1967), integrante do partido político VV - Vamos Venezuela, foi uma das principais organizadoras de manifestações contra o presidente Nicolás Maduro, em 2014. Durante um protesto contra a posse de Maduro, foi presa pelo regime. Em 2025, recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela defesa dos direitos democráticos na Venezuela. Ela defendeu a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela para por fim ao regime autoritário de Maduro, e dedicou o prêmio, também, ao presidente Donald Trump, dos Estados Unidos da América do Norte, "por seu apoio decisivo à nossa causa". Informado sobre essa intenção, Trump disse que considera "uma grande honra" receber o prêmio, e que irá se encontrar com a líder da oposição na Venezuela, em Washington, nesta semana, embora o republicano tenha se aliado à vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodriguez, após a captura do presidente venezuelano.
Em dezembro de 2025, os escritores latino-americanos Laura Restrepo e Giuseppe Caputo, da Colômbia e Mikaelah Drulland, da República Dominicana, boicotaram o festival literário Hay Festival de Cartagena, em Cartagena (Colômbia) pela presença de Maria Corina Machado, dadas as declarações dela sobre a intervenção militar dos EUA.
O cenário de intervenção já ocupava os analistas do Euroasia Group desde setembro de 2025, embora a acusação sobre Maduro chefiar o "Cartel de los Soles" - suposta organização criminosa comandada por generais venezuelanos -, tenha ocorrido em 2020, levando ao reforço da presença militar norte-americana na região, sob justificativa de que iria combater o tráfico de drogas.
No dia 29 de dezembro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu país atacou, e destruiu, uma área de atracação de navios venezuelanos supostamente usada para o tráfico de drogas. Esse seria o primeiro ataque terrestre desde o início da campanha militar de Trump contra o narcotráfico, desde setembro de 2025, quando o governo de seu país aumentou a pressão sobre a Venezuela com uma grande mobilização militar no Caribe.
Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, os EUA lançaram ataque contra a Venezuela. O presidente Trump afirmou que as forças armadas dos Estados Unidos haviam capturado o presidente venezuelano Maduro e sua esposa Cilia Flores e os retiraram do país em coordenação com a administração da justiça americana, operação que resultou na morte de autoridades governamentais, militares e civis. A acusação contra Maduro, pelos EUA, é de liderar um "narcoestado" e fraudar as eleições que o levaram ao poder. O líder venezuelano, por sua vez, acusava os EUA de cobiçar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
O petróleo iniciou a semana passada (5/1/2026) em queda na Ásia (1,2%), embora haja a crença de que o mercado global de petróleo deva absorver os acontecimentos geopolíticos sem grandes dificuldades. A infraestrutura petrolífera da Venezuela não foi afetada pelos ataques dos EUA. Instalações-chave continuam operando. Desde Cingapura, a avaliação é de que, a curto prazo, possa haver um sentimento de aversão ao risco nos mercados asiáticos, causando um aumento do prêmio de risco geopolítico, mas não se espera que isso evolua para um choque duradouro do petróleo (as bolsas asiáticas abriram em alta na segunda-feira). A Opep+ confirmou que manterá estável sua produção, frustrando qualquer expectativa de que haja choque duradouro no mercado.
As repercussões econômicas para o Brasil ocorrem sobre um comércio já enfraquecido: as exportações caíram de R$2,9 bilhões (2015) para R$1,196 bilhão (2024). As importações recuaram 38% no mesmo período. Em 2024, a Venezuela representou 0,4% das exportações totais do Brasil. Os principais produtos exportados foram açúcares, melados e milho (40% das vendas em 2024). Em 2025 (novembro) as máquinas agrícolas responderam por 10,6% das exportações. Há preocupação que a invasão norte-americana impacte preços de petróleo, fretes marítimos e seguros com impacto direto no setor de óleo e gás no Brasil.
O presidente brasileiro repudiou os ataques como violação do direito internacional e risco à estabilidade global.
Os Estados Unidos - maiores produtores de petróleo do mundo - agora têm acesso à maior reserva global (303 bilhões de barris) que, combinando as reservas venezuelanas com a produção americana de 13 milhões de barris por dia, pode dar, à Washington, forte influência sobre os preços internacionais. Com investimentos, a indústria venezuelana poderia se recuperar e operar sob interesses norte-americanos. Manipulando a oferta internacional de petróleo os EUA poderiam diminuir o poder da Opep e reforçar seu próprio controle sobre o mercado. A "quarentena do petróleo" como forma de pressionar a Venezuela, restringiria a circulação de petróleo venezuelano no mercado internacional e ampliaria o isolamento econômico do país. Além disso, esta estratégia permite obter alinhamento aos novos líderes do regime chavista na Venezuela. Também há expectativas de que a Venezuela corte relações com Irã, Hezbollah e Cuba, adversários da indústria petrolífera dos EUA.
O governo brasileiro confirmou o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidenta interina.
O mercado financeiro segue atento a temas como inteligência artificial e política monetária do FED para precificar totalmente a volatilidade geopolítica. As tensões entre grandes potências deve se intensificar aumentando a busca por ativos de proteção, como o ouro.
O Brasil continua as negociações com a gestão Trump para o fim do tarifaço, das sanções contra as autoridades e o intercâmbio de informações para combater o crime organizado.
O setor industrial do Rio Grande do Sul preocupa-se com a escala da crise entre Estados Unidos e Venezuela. Empresários e analistas temem reflexos indiretos na volatilidade nos preços de petróleo e derivados, bem como efeitos sobre custos logísticos e cadeia de suprimentos, mesmo sendo a exposição direta da economia gaúcha baixa, no mercado venezuelano. A avaliação é de que os efeitos da crise devem ser contidos.
Na segunda-feira (5/1/2026), as petrolíferas brasileiras encerraram o pregão em queda, como reflexo do ataque norte-americano à Venezuela: Petrobrás perdeu R$6,8 bilhões em valor de mercado; suas ações ordinárias recuaram 1,67% e as preferenciais 1,66%. Prio caiu 1,46%, e Brava Energia 5,75%.
Nos EUA, a Chevron, que mantém operações na Venezuela em parceria com a PDVSA, subiu 5,10% e a ExxonMobil, 2,21%. A Chevron é a única grande petroleira americana ainda presente na Venezuela, onde responde por cerca de 25% da produção nacional.
Na base das intervenções dos EUA está a "doutrina Monroe", teorizada por James Monroe, presidente dos EUA, em 1823. Ela prevê a recusa de qualquer ingerência nas questões políticas das Américas por parte de potências estrangeiras; em 1904, Theodore Roosevelt ampliou o corolário da doutrina, onde Washington reivindica o direito de intervir nos países da América Latina para proteger seus interesses e manter a estabilidade e a ordem.
A Bom Princípio Alimentos, empresa gaúcha, iniciou em dezembro de 2025, presença nos Estados Unidos. A operação é voltada ao food service, garantindo distribuição em mais de 25 estados norte-americanos. A empresa já exporta para países da América do Sul e Central e Austrália. O ataque dos Estados Unidos à Venezuela trouxe preocupação ao agronegócio gaúcho, especialmente ao setor arroz, que exportou à Venezuela cerca de 165 mil toneladas do cereal, em 2025, ficando atrás, em volume, apenas ao Senegal. Os venezuelanos foram os maiores compradores do arroz em casca. Como o Rio Grande do Sul responde por 70% da produção nacional de arroz, os produtores acompanham com atenção os desdobramentos da crise. As exportações do agronegócio gaúcho à Venezuela somaram US$85,5 milhões em 2025, com mais de 186 mil toneladas embarcadas.
Enquanto isso, Trump apresentou a "Doutrina Donroe", inspirada na Doutrina Monroe, reforçando que, além da entrada de grandes empresas americanas no setor petrolífero venezuelano, com investimentos bilionários para recuperar a infraestrutura, Washington assumirá responsabilidade sobre o hemisfério ocidental. Entretanto, o Senado dos EUA aprovou resolução que limita o poder de Trump de ordenar novas ações militares sem autorização prévia do Congresso, quando ele advertiu sobre novas ações militares na Colômbia e no México. Analistas preveem que, se a intervenção americana aumentar a produção e a exportação da Venezuela isso pode gerar superoferta e pressionar preços para baixo.
Observadores da indústria gaúcha aguardam a superação da crise política e econômica da Venezuela para voltar a exportar ao país arroz, feijão, derivados do cacau, conservas, móveis e tabaco. Em 2014, a Venezuela ocupava a oitava posição entre os principais destinos das exportações do Estado, com destaque para bens industrializados; hoje, caiu para um quinto do valor registrado na época. Segundo Trump, a Venezuela concordou em destinar a receita da venda de petróleo aos EUA exclusivamente, para a compra de produtos americanos: alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e insumos para a energia.
As exportações do RS para os EUA caíram em 10,9%, em 2025, impactadas pelo tarifaço que entrou em vigor em agosto e reduziu os embarques em 37% nos últimos cinco meses do ano. Produtos petroquímicos, óleos para solventes, insumos combustíveis e equipamentos domésticos de metal tiveram queda superior a 50%, mas transformadores e carne bovina dobraram suas vendas. Parte das exportações foram redirecionadas aos mercados de Omã, Índia, Argentina e Paraguai. Apesar de Trump ter recuado em algumas tarifas, a maior parte das exportações gaúchas ainda enfrenta sobretaxa de 50%. O resultado foi que de superávit de US$410,6 milhões (2024) a balança comercial com o RS e os EUA passou a déficit de 155,3 milhões, em 2025.
Enquanto presos políticos estão sendo liberados na Venezuela - ato de grande valor simbólico - a líder da oposição venezuelana, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado está agendada com o presidente Trump nesta semana, em Washington. Ele, por sua vez, anunciou ataques terrestres contra "os cartéis de drogas que controlam o México".
Algumas referências:
apex.com.br
bloomberglinea.com.br
folha.uol.com.br
gauchazh.clickrbs.com.br
g1.globo.com
jornaldocomercio.com
oglobo.globo.com
vaticannews.va
Novembro/Dezembro/2025
Brasil e a COP30
- destravar a discussão sobre a crise energética e financiamento climático, e
- quebrar o molde das edições anteriores.
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| foto: Le Monde |
- reconhecimentos para afrodescendentes: pessoas (os indivíduos) e não os povos. Por isso, a Coalizão Internacional de Territórios e Povos Afrodescendentes da América Latina e Caribe comunicou sua reivindicação por direitos coletivos;
- reconhecimento por direitos territoriais indígenas: mas, reconhecer não é proteger, o que levou à declaração de insuficiência por parte da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB);
- ciência como guia: apoio claro ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. A COP30 contou com o primeiro pavilhão científico em uma conferência do clima da ONU, o Planetary Science Pavilion, comprometido em produzir relatórios sobre a eliminação dos combustíveis fósseis para os próximos anos;
- Global Impact Accelerator: foi lançado o Acelerador Global de Implementação como pacote de ideias para reduzir as emissões globais;
- 2 roadmaps: que serão entregues para informar as decisões da COP31, na Turquia. Um será como deter e reverter o desmatamento e o outro sobre o fim do uso de combustíveis fósseis;
- BAM - Belém Action Mechanism: plataforma de ajuda aos países a conduzir a mudança de economias baseadas em combustíveis fósseis de maneira a apoiar os trabalhadores, proteger as comunidades e ampliar os benefícios econômicos da energia limpa;
- Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF): lançado no primeiro dia da Cúpula do Clima e já em operação, tem como objetivo recompensar países em desenvolvimento que garantam a conservação de florestas tropicais em seus territórios. O Brasil captou, até agora, 6,5 bilhões de dólares. Está estabelecido que 20% dos recursos captados devem ser repassados a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Maio/Junho/2025
Brasil - Rio de Janeiro Capital Mundial do Livro 2025
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| Abertura evento oficial no Rio de Janeiro da titulação de Capital Mundial do Livro à cidade |
Nomeada pela UNESCO como a Capital Mundial do Livro em 2025, Rio de Janeiro é a primeira cidade de língua portuguesa a receber este título. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, concede este título, anualmente, a uma cidade, para a promoção da leitura e o acesso aos livros em todo o mundo.
No Rio, a cerimônia oficial ocorreu com a entrega do título ao prefeito do Rio de Janeiro pela prefeita de Estrasburgo (Capital Mundial do Livro 2024 reconhecida como pólo da literatura infantil, na Europa), no final de abril/2025, em reconhecimento à excelência dos programas de promoção de leitura desenvolvidos na cidade. O início da agenda oficial, entretanto, ocorreu no início de abril, na Academia das Ciências de Lisboa, divulgando um acervo com obras clássicas e contemporâneas, selecionadas por países de língua portuguesa como Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Timor Leste, como apoio da comunidade lusófana ao Rio, como Capital Mundial do Livro.
O Rio é a cidade que mais consome cultura no Brasil, em todas as formas: livros, cinema, teatro, shows, visitas a museus ou locais históricos. Possui 58 centros culturais e 55 museus. Uma agenda especial está sendo organizada em função da premiação, que contemplará eventos ao longo de 2025 até 2026, além dos eventos literários tradicionais daquela capital:
Bienal Internacional do Livro (é o evento mais importante da literatura brasileira);
Feira Literária das Periferias (FLUP, é evento de promoção à inclusão e diversidade cultural);
Festival do Leitor (LER);
Festival Paixão de Ler (literatura infantil e juvenil);
Noite com Livros;
Book Parade Rio;
Rio de Livros;
Academia Editorial Jr.
Ademais, dão suporte cultural à cidade, suas 69 instituições de ensino superior, além das infraestruturas, como o transporte aéreo nacional e internacional, transportes terrestres rodoviários e ferroviários e uma rede hoteleira que está entre as principais do país em tamanho e qualidade dos serviços.
O turismo é fundamental para a economia da cidade. A rede hoteleira da cidade do Rio de Janeiro, em dezembro/2024, já contava cerca de 50.000 quartos, cujo faturamento anual é de bilhões de dólares. Além desta, conta com mais de 700 meios de hospedagem que geram mais de 100.000 postos de trabalho.
O setor de acomodações, por sua vez, opera com uma margem de lucro (GOP) média de 75%, o que repercute na arrecadação. No caso do setor hoteleiro, a tributação sobre o Lucro Real é: IRPJ e CSLL (15% e 9%, sobre o lucro efetivo); PIS e Cofins com alíquotas de 1,65% e 7,6% e o ICMS variável.
Espera-se que esta titulação venha a incrementar estes e outros ingressos decorrentes das populações do país e do mundo que acorram aos eventos que estão sendo programados.
Leituras de referência:
https://agenciabrasil.ebc.com.br>economia
https://cultura.prefeitura.rio
https://www.cnnbrasil.com.br>nacional>rio-de-janeiro
https://www.hqbeds.com.br
https://www.mapadasartes.com.br
Março/Abril/2025
Peru, o país multiétnico dos Andes
O Peru é uma república democrática representativa semipresidencialista, onde o presidente designa um primeiro ministro que dirige o Conselho de Ministros. Multiétnico, foi um dos fundadores da Comunidade Andina das Nações (1969), atualmente, constituída por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, cuja secretaria tem como cidade-sede a Lima.
O país é considerado o melhor destino de turismo mundial, e em 2024, recebeu o World Travel Awards, tendo sido premiado em três categorias: destino culinário líder do mundo (pela décima segunda vez consecutiva), por sua tradição, inovação e ingredientes locais; destino cultural líder do mundo (danças, festivais, músicas e tradições); atração turística líder do mundo (Machu Picchu, em Cusco, pelo quinto ano consecutivo).
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| Hotel suspenso no Vale Sagrado dos Incas |
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| Porto de Chancay |
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| Praias e atrações turísticas no mar |
O Peru assumiu, em 2024, pela terceira vez, a presidência da APEC - Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, instituição de acordos não vinculantes.
Referências bibliográficas:
BARRERA, Paulo Rivera, "Religião e política no Peru pós-Fugimori (2006), Civitas, Porto Alegre, v.6,n.2, julho-dezembro/2006.
https://lefigaro.fr
https://www.wordtravelawards.com
MONTOYA, Paúl (2022), "El progreso de las ideas: escritores e intelectuales positivistas en Perú (1884-1919)", PUCRS, Porto Alegre.
peruanosenelmundo/facebook
peruesmagico/facebook
politica-china.org (análise/política exterior, por Nifta Lau Ibarias, nov/2024; ver também artigo de Patrícia Castro Obando, julho/2024)










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